Novo

A gente acha que, por já ter jogado uma ou duas vezes, pega experiência. PAPO.

Mais uma cidade. Novo ar. Uma casa nova, no mesmo lugar. No entanto, acumulam-se teias de aranha naqueles cantos da nossa alma que a gente tem medo de mexer. Sempre tive medo de mudar a ponto de não me reconhecer em escritos antigos, espelhos empoeirados. Então eu volto ao estado inicial, aquele de anos atrás. A gente sempre acaba voltando pro cassino. Mas o jogo é outro, mais difícil, imprevisível e com uma aposta mínima que a gente simplesmente não tem como pagar. É o mundo ensinando a gente que ainda não deixamos de ser os adolescentes cheios de dúvidas que éramos. A diferença é que somos maiores que outrora, e em nossas cabeças há ainda mais espaço para mais e mais questionamentos. Quanto mais claro fica para mim a noção do que é certo, mais meus pés apontam para o obscuro caminho do absolutamente desconhecido.

Não posso dizer que não gosto. Mas também não direi que tem sido simples. E o que é simples, aos vinte-e-tantos anos?

A gente se sente velho demais para jogar tudo pra cima e fugir. A gente se vê jovem demais pra dar o próximo passo sem olhar pra trás. Então a gente fecha os olhos e caminha até cair. A cada vez que ergo meu corpo, percebo nos pés descalços a textura de um novo chão, na pele o toque de um vento que vem de outro lugar, e que traz consigo outros aromas. Um deles, em especial, me captura o olfato, prendendo-me numa não-intencional caçada sem espingarda em punhos. É o momento em que meu peito pode ser perfurado pela mais insignificante flecha de papel.

 

por romanceemapuros.

 

1 Comentário »

  1. Diego S.R. Said:

    O céu sobre meus ombros

    A síntese da alma.
    A vida, o todo de sentimento existente,
    absoluto até mudar.
    O indiscutível, até duvidar de si mesmo.
    O caminho da felicidade, é sonhar,
    mas, sonhando não se vai a lugar nenhum,
    é preciso encarar a verdade e ter consciência
    da distancia existente para a realidade.

    É duro ser inteligente, a vida vai perdendo a
    graça se os resultados não vêem.
    É difícil aceitar a lógica quase implacável da perda,
    que só aumenta com o passar do tempo,
    e o vazio que fica quando a vitória, mesmo certa,
    se esvai entre os dedos.

    Lagrimas escorreram enquanto se
    emocionava com o sentimento latente, a muito ausente,
    ressurgiu forte, do fundo da alma aos olhos se fez presente.
    Apenas para lembrar-se da sua fraqueza ante a existência.


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